Foto: Divulgação/UnB

Suspensão de aluno da UnB por gravação: censura em pleno espaço acadêmico?

A suspensão do estudante Wilker Leão pela Universidade de Brasília (UnB) expõe um avanço sistemático da censura dentro de um ambiente que deveria ser o berço do debate livre e da pluralidade de ideias. Wilker, acusado de gravar aulas sem autorização, teria a intenção de registrar e expor um possível viés ideológico no conteúdo acadêmico. Sua punição, no entanto, sugere que a instituição prefere blindar determinadas narrativas em vez de prezar pela transparência.

É inconcebível que, em uma universidade pública – sustentada pelo dinheiro do contribuinte –, ações de registro e fiscalização sejam tratadas como infrações. Ao impedir a gravação e punir o aluno, a UnB não apenas reforça a percepção de que há algo a esconder, como também desrespeita o princípio da accountability em instituições públicas. A pergunta que permanece é: por que uma gravação, que poderia fomentar um debate mais amplo e plural, incomodaria tanto?

O ambiente acadêmico deveria incentivar a diversidade de pensamentos e promover o diálogo. No entanto, a decisão de suspender Wilker sugere o contrário: a imposição de limites arbitrários que podem asfixiar vozes divergentes. Tal postura compromete o papel da universidade como espaço de reflexão crítica e democrática.

Punir um aluno por buscar transparência é um sinal de alerta. Quando uma instituição acadêmica, que deveria ser exemplo de liberdade de expressão, passa a punir o registro do que é dito em sala de aula, a linha entre educação e doutrinação torna-se cada vez mais tênue. Em vez de retaliação, a UnB deveria abrir as portas para o diálogo e a transparência, reafirmando o compromisso com a pluralidade e o livre pensar.

Suspensão cautelar do aluno por 60 dias:

Wilker Leão foi proibido de frequentar duas disciplinas do curso de história: História da África e História do Brasil.

A decisão foi expedida pela reitora Rozana Naves em 12 de dezembro.

2. Abertura de um processo administrativo:

A UnB instaurou um processo para apurar a conduta do estudante, que foi acusado de realizar gravações em sala de aula sem a devida autorização, o que teria causado:

Prejuízo ao andamento das disciplinas;

Suspensão das aulas;

Consequente impacto negativo para outros estudantes matriculados nas mesmas disciplinas.

3. Proibição de participação nas disciplinas:

Durante o período de 60 dias, o aluno está proibido de assistir às aulas específicas mencionadas na decisão cautelar.

Essas medidas foram justificadas pela UnB como necessárias para garantir o andamento regular das aulas e proteger o ambiente acadêmico.